Sunday, February 7, 2010
Monday, January 11, 2010
Wednesday, December 16, 2009

A propósito do Deus mesquinho de Saramago voltei à questão do sacrifício de Isaac. Neste retorno tropecei no trabalho de Rembrandt. Ainda que se ilustre a história de Abraão quase sempre recorrendo ao trabalho de Caravaggio, de entre as duas obras escolho a primeira.
O essencial parece-me lá estar na rude mão de Abraão que cobre o rosto de Isaac, que o coloca como figura central do quadro. Na ténue linha que divide o brutal do divino - o contorcido corpo de Isaac de mãos atadas e a luz que o cobre. A superação do ético pela fé - o brilho da lâmina que executa o sacrifício e a surpresa expressa no rosto de Abraão. A escuridão à direita, a luz à esquerda.
Wednesday, December 9, 2009
Saturday, December 5, 2009
Todo este entusiasmo da nossa geração com a espiritualidade oriental parece-me estranho. Na realidade não encontro a leste qualquer espiritualidade mas um profundo realismo, uma quase inevitabilidade das desilusões que a vida nos vai apresentando. Diz o pragmatismo que não devemos colocar todos os ovos no mesmo cesto, o budismo que não devemos sequer ter ovos, o cristianismo que devemos por todos os ovos em todos os cestos, que os ovos continuarão inteiros mesmo que o cesto se rompa. O budismo é por isso uma espécie de pragmatismo desiludido, o cristianismo um absurdo radicado na espiritualidade.