Wednesday, December 16, 2009



A propósito do Deus mesquinho de Saramago voltei à questão do sacrifício de Isaac. Neste retorno tropecei no trabalho de Rembrandt. Ainda que se ilustre a história de Abraão quase sempre recorrendo ao trabalho de Caravaggio, de entre as duas obras escolho a primeira.

O essencial parece-me lá estar na rude mão de Abraão que cobre o rosto de Isaac, que o coloca como figura central do quadro. Na ténue linha que divide o brutal do divino - o contorcido corpo de Isaac de mãos atadas e a luz que o cobre. A superação do ético pela fé - o brilho da lâmina que executa o sacrifício e a surpresa expressa no rosto de Abraão. A escuridão à direita, a luz à esquerda.

1 comment:

Farmer said...

Em Rembrandt, nada é mesquinho.